"De acordo com os modelos das neurociências e de certas correntes da psiquiatria, não é necessário pensar o homem como marcado pelo conflito, e sim como uma máquina perfeita que pode ser atormentada por alguns distúrbios e desvios de funcionamento ocasionais. De um lado, o excesso de pressãoexercido pelas exigências sociais e pelo 'ritmo da vida' moderna pode causar estresse, desânimo, descontrole. De outro, alguns déficits químicos podem submeter o corpo a estados depressivos curáveis pela psicofarmacologia avançada.
[TIRA DE ANDRÉ DAHMER - CLIQUE NA IMAGEM]
(...) Uma sociedade em que os homens concebem a sua vida psíquica segundo o modelo do distúrbio e da cura neuroquímica (ainda que não se possa negar a importância da psicofarmacologia no auxílio ao tratamento das formas extremas de sofrimento psíquico) é uma sociedade em que as condições do laço social não convocam os sujeitos a fazer do pensamentoum auxílio para a mediação de suas relações e na negociação de suas diferenças. Ao empobrecimento do pensamento correspondem, de um lado, a violência; de outro lado, a depressão.
(...) A depressão, sintoma do mal-estar neste começo de milênio, (...) é ao mesmo tempo causa e consequência da recusa do sujeito em assumir a dimensão de conflito que lhe é própria. (...) O empobrecimento da vida subjetiva é o preço pago por aqueles que orientam as suas escolhas em função do medo de sofrer.
(...) O medo de sofrer confunde-se com o medo do desconhecido. O fato é que o homem moderno, voltado para os ideais pós-revolucionários de felicidade (...) é alguém que desaprendeu a sofrer."
[Adaptado de 'Sobre Ética e Psicanálise' - Maria Rita Kehl, 2002]
Abaixo, pequena reflexão de Joel Birman sobre questões que permeiam a atualidade.
[CLIQUE NA IMAGEM!]
"Nas últimas décadas, constituiu-se no Ocidente uma nova cartografia social, em que a fragmentação da subjetividade ocupa posição fundamental. Esta fragmentação é não apenas uma forma nova de subjetivação, mas a matéria-prima por meio da qual outras modalidades de subjetivação são forjadas. Em todas essas novas maneiras de construção da subjetividade, o eu se encontra situado em posição privilegiada. No entanto, esse autocentramento do sujeito no eu assume formas inéditas, sem dúvida, se considerarmos a tradição ocidental do individualismo iniciada no século XVII.
Com efeito, a subjetividade construída nos primórdios da modernidade tinha seus eixos constitutivos nas noções de interioridade e reflexão sobre si mesma. Em contrapartida, o que agora está em pauta é a leitura da subjetividade em que o autocentramento se conjuga de maneira paradoxal com o valor da exterioridade. Com isso, a subjetividade assume uma configuração decididamente estetizante, em que o olhar do outro no campo social e mediático passa a ocupar uma posição estratégica em sua economia psíquica.
(...) Os destinos do desejo assumem, pois, uma direção marcadamente exibicionista e autocentrada, na qual o horizonte intersubjetivo se encontra esvaziado e desinvestido das trocas inter-humanas. Esse é o trágico cenário para a implosão e a explosão da violência que marcam a atualidade."
[Joel Birman, 'Mal-Estar na atualidade', 2000]
***
CINE-SOBEPI [GRATUITO - INSCRIÇÕES LIMITADAS] Cinema seguido de debate.
Filme: 'Aos Treze' Tema: 'Tempos de excessos - Narcisismo e Diferenças'.
Olá! As inscrições para a Formação em Psicanálise estão abertas, na SOBEPI, para o ano de 2013. Atenção aos itens abaixo! Acesse também:http://www.sobepi.org.br/
Formação em Psicanálise 2013
Normas
para seleção de candidatos:
1- Entregar a documentação abaixo
solicitada e pagar taxa de seleção na secretaria;
2- Agendar as entrevistas de
seleção.
Ter curso de graduação de nível superior (reconhecido pelo MEC);
Pagar taxa R$85,00 (outubro/2012) referente entrevistas de seleção;
Apresentar currículo e cópia do(s) diploma(s) de
graduação;
Apresentar carta de intenção, de próprio punho,
expondo as razões de escolha pela Formação em Psicanálise na SOBEPI;
Passar por três entrevistas com Diretores
da SOBEPI;
Análise pessoal (Psicanálise).
Obtendo a aprovação, o candidato,
receberá um dossier com as normas da Escola de Psicanálise e conteúdo
programático de toda a Formação.
No vídeo abaixo, o registro do Cine-Sobepi do último sábado: um debate instigante sobre as questões do autismo, após a exibição do filme 'Meu Filho, Meu Mundo', de Glenn Jordan (EUA, 1979). No Filme, um casal norte-americano se vê diante de questões extremamente difíceis e complexas, ao se darem conta de que seu terceiro filho, Raun, era uma criança autista. A maneira como eles lidaram com a questão, a despeito da descrença do saber médico da época, demonstra a importância da comunicação profunda, da busca do sujeito aonde quer que ele se encontre - nem que seja em seu próprio mundo!
Manuela Birtel, psicanalista da SOBEPI, apresenta abaixo uma introdução ao debate com os presentes, e reafirma as possibilidades do lugar do analista em casos difíceis.
Foi uma ensolarada e fresca manhã (mais que agradável) de sábado, e a SOBEPI agradece ao público que foi lá prestigiar - aguardem o próximo evento!!